Resenha: Festival Monsters of Rock Brasil 2015








“O Festival Monsters of Rock foi um desfile de clássicos, mas também houve espaço para bandas novas, saiba tudo o que rolou nos dias 25 e 26 de abril”!

O festival Monsters of Rock de 2015 consagrou-se como uma das melhores edições logo ao anunciar o seu incrível Line up. Ao contrario da ultima edição de 2013 que dividiu-se entre bandas mais novas no primeiro dia e clássicas no segundo, a organização esse ano quis misturar tudo.

O que é muito bom porque isso  faz com que os fãs dos clássicos conheçam novos trabalhos e os fãs de bandas recentes possam apreciar as origens do gênero.

Para começar, dois headliners de peso e relevância inquestionáveis, KISS e Ozzy Osbourne. Logo em seguida Judas Priest, que figura como convidado especial e toca nos dois dias de festival.

Logo abaixo um muro sonoro para nossos ouvidos: Motörhead em um dia e Manowar no outro. Até aqui já se faz necessário comparecer aos dois dias de festival.  Mas o segundo dia se mostrou mais forte, pois possuía ainda a presença dos alemães do Accept e o guitarrista virtuose sueco Yngwie Malmsteen e a banda Unisonic que conta com o ex-vocalista do Helloween Michael Kiske.

O primeiro dia pode parecer mais fraco por que mesmo trazendo Ozzy ainda não era o Sabbath. Hoje a carreira solo de Ozzy necessita de um guitarrista de peso para acompanhar, e ele tem deixado de lado grandes composições de sua carreira solo como “No More Tears”, e também entrega um set list curto demais ( assim como o Sabbath). Então o Judas Priest poderia equilibrar, mas toca nos dois dias então o que salva a ida ao primeiro dia é a oportunidade derradeira de ver o Motörhead, visto o estado de saúde do lendário Lemmy Kilmister.

O primeiro dia traz ainda a nova e já promissora aposta chamada Rival Sons que se mostrou uma sacada interessante dos organizadores. E como não poderia deixar de citar o excelente  Primal Fear. Em contra partida trouxe também mais dois nomes novatos que fazem um som mais moderno como Coal Chamber e Black Veil Brides.

Já no segundo dia as novidades ficam apenas por conta da banda de hard rock Steel Panther, que é uma espécie de revival do estilo de vida dos anos 80 com uma dose extra de humor em suas letras.

De ultima hora foram acrescentadas mais duas bandas brasileiras, uma em cada dia De La Tierra e Doctor Pheabes.

Monsters Of Rock 2015 – Primeiras impressões.

A fila na entrada da Arena Anhembi estava tranquila por volta das 12hs da manha e o acesso ao festival foi rápido.

Passando pelo guarda volumes você se depara com a passarela do sambódromo e olhando para esquerda existe um belo apanhado de lojas com camisetas oficiais, acessórios, CD’s, roupas e calçados diversos de ótimo gosto.

Andando mais alguns metros você já pode visualizar um pedacinho do palco, mas sem antes ver ainda á esquerda uma praça de alimentação com mesas e cadeiras, além de alguns food trucks para reabastecer no decorrer do evento.

Chegando próximo ao palco, podemos ver a área destinada á venda de bebidas a esquerda e os banheiros químicos  a direita tendo uma passarela de segurança separando a plateia para possíveis resgates de pessoas e possibilitando uma melhor visão para os seguranças e bombeiros em casos de sinistros e furtos.

Essa divisão também faz com que se ganhe vários metros de grade extra e esses pontos são um pouco mais altos que o chão devido ao suporte de metal da grade, é um bom lugar para ver o show se você não estiver na frente pois o vão faz o espectador ter uma visão livre ate o palco mantendo a proximidade.
O palco é gigante como os nomes do line-up, como só existe um palco o público pode descansar mais nos intervalos entre os shows evitando grandes percursos de caminhada como no Rock in Rio e Lollapalooza.

O festival trouxe um ambiente próximo aos food trucks onde você poderia tocar guitarra e intimidar seus amigos com seus dotes artísticos e se sentir como o Malmsteen por alguns instantes.

O Monsters of Rock Brasil é um festival menor em termos de estrutura com apenas um palco e não possui outros atrativos como roda gigante,  montanha russa, etc.

Mas não fazem nenhuma falta, o foco realmente é o line up. Então vamos a eles.

Os Shows

Nos dois dias tivemos a infelicidade de perder o De La Tierra e Doctor Pheabes, só conseguimos ouvir um pouquinho do som do De La Tierra na fila do evento, o que é uma pena. Então esse artigo não irá citar a performance dessas bandas.
No primeiro dia o segundo show ficou por conta do excelente Primal Fear. Antes do show começar percebemos a bateria decorada com um polvo do brasileiro Aquiles Priester. Havia poucas pessoas ainda no Anhembi e dava de circular tranquilamente até bem próximo do palco. Eles iniciaram com a musica “Final Embrace”, e o ponto alto do show foi a excelente “When Death Comes Knocking”.  O vocalista Ralf Scheepers  impressiona ao vivo tanto quanto em estúdio, a banda está em plena maturidade técnica e demonstram uma extrema tranquilidade em cima do palco. Deixaram os fãs satisfeitos e conquistaram com certeza novos ouvintes.

Fiquei ali mesmo até a próxima banda entrar. Coal Chamber, festa estranha com gente esquisita, o estilo lembra bastante o Korn, até o vocalista Dez Fafara lembrou o vocalista do Korn. Entregaram um ótimo new metal e seu maior sucesso “Loco” levantou a plateia e fizeram o primeiro mosh  do festival que eu tenha visto. A performance da baixista Nadja Peulen chamou atenção pela empolgação e presença de palco.

Ao final do show o sol forte já estava maltratando os presentes e a garganta pedia uma cerveja mas estava ali para ver o Rival Sons. Quando subiram no palco pareceu que estávamos voltando no tempo. O visual da banda é extremamente vintage e eles seguem o estilo a risca também musicalmente falando. Dos amplificadores Orange surgiu o primeiro riff da musica “Eletric Man” do excelente ultimo disco “Great Western Valkyrie”. O show não teve pontos altos por que ele completo foi um ponto alto. Todas as músicas são excelentes e demonstram por que o Rival Sons viria a se tornar a banda de abertura da turnê de despedida do Black Sabbath.

Em seguida dei uma merecida pausa do sol escaldante para procurar uma sombra e molhar a garganta, mas retornei a tempo de ver de mais distante o show dos novatos do Black Veil Brides, e de inicio uma explosão de fogos marcam a entrada da banda de forma avassaladora logo com sua música mais conhecida “Heart of Fire”. Os fãs da banda estavam lá, mas os fãs do Motörhead que não saíram para descansar já estavam impacientes e começaram a gritar (Motörhead! Motörhead!) e vaias se seguiram contra a banda novata. Gerando um desnecessário mal estar que notavelmente afetou a banda.

Com o ocorrido me ausentei do local e quando voltei animado para ver finalmente o Motörhead eis que surge uma pessoa no palco, mas não era um técnico de som, era da organização do festival trazendo noticias sobre o show do Motörhead e não enrolou nada e disse que o Lemmy não estava bem e que havia passado mal mais cedo e ainda não havia se recuperado. Disse mais algumas coisas, que ninguém ouviu mais pelo choque, e finalizou: – Não vai ter show do Motorhead. E assim sumiu do palco deixando a plateia em choque.




E então as vaias ao show da banda novata se provaram em vão. Pois os fãs que ali estavam teriam que esperar ainda mais para ver o Motörhead em ação. Quando de repente a mesma pessoa ressurge e diz que vem com boas noticias, enquanto a plateia ainda tinha esperanças, mas era apenas um anúncio de uma jam session com o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee, integrantes da banda britânica, com Andreas Kisser, Derrick Green e Paulo Xisto. Eles subiram ao palco e tocaram  três músicas com os membros remanescentes do Motörhead “Orgasmatron” com Derrick Green nos vocais, “Ace of Spades” com Andreas Kisser nos vocais e por fim “Overkill” com os dois dividindo os vocais.

Mas não foi o bastante, o público ficou extremamente arrasado com o cancelamento mas ao mesmo tempo apreensivo com o prenúncio do fim do Motörhead, muitos viam ali a última chance de ver a banda indo embora para sempre. Depois da boa noticia do jam session de consolação veio  mais uma boa noticia para animar o público cabisbaixo, o Judas Priest iria adiantar e alongar a sua apresentação incluindo mais musicas ao set para alegria dos fãs.

Acrescentaram ao set list “Love Bites” e “You’ve Got Another Thing Comin’ ”. O show foi recheado de clássicos como “Painkiller”, “Breaking the Law” e “Turbo Lover”. E apresentou ótimas musicas do ultimo álbum como a faixa título do álbum “Redeemer of Souls” “Halls of Valhalla”. E como não poderia faltar teve a tradicional entrada de Rob Halford com sua moto harley davidson. O novo guitarrista Richie Faulkner se mostrou muito competente e a banda esta em uma ótima fase. Mesmo com sua idade avançada,  Rob Halford ainda impressiona com notas altíssimas e não decepcionou, mesmo alguns dizendo que ele usou efeitos demais na voz, mas faz parte do show.

E então chega o grande momento  com o headliner da noite, Ozzy Osbourne entra no palco extremamente animado e jogando água na plateia com uma mangueira á todo momento em plena crise hídrica e ainda por cima estava chovendo.

O set list é curto mais é eficaz, abrindo com “Bark at the Moon”, passando por “Mr. Crowley” , “Iron Man” , “Crazy Train”, e  “Paranoid” para fechar. E aquela agonia de ver ele tirar o microfone do pedestal fingir que vai para algum lugar e voltar de repente, recolocar o microfone  e depois bater as mãos igual uma foca. É o Ozzy é uma lenda e estava ali rindo e vendo ele ao vivo em cima do palco depois de todos esses anos. Dever cumprido!

Em fim termina o primeiro dia com aquela sensação de que o segundo dia é uma obrigação incontestável.

O segundo dia começou com o Doctor Pheabes (infelizmente perdemos ) e logo em seguida era a vez o Stheal Phanter. Eles são realmente muito talentosos ao vivo e entregaram um show bastante divertido com um hard rock farofeiro oitentista.

No meio do show fazem uma pausa para um discurso interminável até que surge uma mulher loira que arranca a blusa e é convidada a subir ao palco. Logo depois começam a ser convidadas outras garotas que se sentem pressionadas a tirarem a blusa também. Mas pelo que parece a banda promove esses episódios na maioria dos seus shows.

Em seguida era a vez do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, o show dele foi um pouco morno e as demoradas demonstrações de virtuose cansaram um pouco os presentes, foram executadas as músicas “Rising Force” e  “Black Star” além de um cover de Jimmy Hendrix “Purple Haze”.

O animo da plateia retornou com força com Michael Kiske e o seu Unisonic, com as excelentes músicas “Exceptional” e “Unisonic”. Mas a plateia foi ao delírio mesmo quando foram tocadas as musicas de sua antiga banda Helloween “March of Time” e “I Want Out”.

Já era final de tarde quando o Accept iniciou seu set list, a banda que conta com o seu competentíssimo segundo vocalista baixinho não decepciona e conseguiu superar as expectativas do público entregando um show espetacular e energético com direito á dancinha no riff de “Balls to the Wall”, e as também clássicas “Princess of the Dawn”, “Metal Heart” e “Fast as a Shark”. Os trabalhos mais recentes também foram lembrados como a já consagrada “Teutonic Terror”, “Stalingrad” e a mais nova “Stampede” .

Em seguida era a vez do Manowar, quando subiram no palco tomei um baque inicial de tão alto que estava o som, mas tudo estava devidamente regulado e funcionava bem. Eles são famosos por serem a banda mais alta do mundo. O show foi excelente e recheado de clássicos tocaram  “Warriors of the World United”, “Hail and Kill”, “Black Wind”, “Fire and Steel” e “Kings of Metal”, diferente da sua última vinda ao Brasil onde houve muitas reclamações do set list focado nos trabalhos recentes. Estão redimidos.

O baixista Joey DeMaio parou o show e iniciou um longo discurso em português mesmo:  “Alguma outra banda subiu aqui e falou com vocês em português do Brasil? Para quem não gosta de heavy metal, do Brasil e do Manowar, nós dizemos o quê? Vai se foder!”. Enquanto proferia as palavras, ele derramava cerveja no próprio rosto.

O show ainda contou com a participação do brasileiro Robertinho do Recife na música “Metal Daze”.

No final tive a impressão que o show foi um dos mais longos do festival talvez por conta do demorado discurso. Mas com certeza foi um dos destaques até aqui. Ao se despedir Joey DeMaio ainda teve tempo de calmamente arrancar as cordas de seu baixo uma a uma com as próprias mãos e entrega-las à plateia.

E então caminhamos para o final do festival com a segunda apresentação do Judas Priest que primeiramente prometeu fazer os dois shows com o mesmo set list, mas como o primeiro foi maior o segundo foi exatamente igual exceto apenas as canções : “March of the Damned” que substituiu “Love Bites” e a exclusão de “You’ve Got Another Thing Comin’ ”.
É chegada a hora então do Gran Finale.

E como um espetáculo circense surge as cortinas com o nome KISS, e um set list se ouve ao fundo mas todos sabem que a banda não sobe ao palco antes de tocar  nos alto falantes a música “Rock and Roll” do Led Zepellin. E quando Robert Plant canta seu último verso “Been a long lonely, lonely, lonely, lonely, lonely time”  a bateria de John Bonham faz sua virada final e só ai então surge no telão as imagens da banda caminhando em um backstage um a um ate Paul Stanley dar um chute no ar e a  vociferação de Gene Simmons emanar um : Alright São Paulo!!! You wanted the best, you got the best, the hottest band in the world, KISS!!! E então ouvimos os primeiros acordes de “Detroit Rock City” do álbum “Destroyer”. Mas esse show não é de divulgação de nenhum álbum novo, é um dos shows da turnê 40th anniversary, então estávamos preparados para um desfile de clássicos contemplando toda a sólida carreira da banda. Teve também “Creatures of the Night”, “Psycho Circus”, “I Love It Loud”, “Deuce”, “Calling Dr. Love”, “Lick It Up”, “Shout It Out Loud”…  É.., Não dá nem para respirar.

A voz de Paul Stanley já não é mais a mesma e em alguns momentos falha severamente, mas não afetou em nada o espetáculo. E o show teve de tudo, fogos no palco, plataformas elevatórias, Gene Simmons cuspindo sangue em “War Machine”, Paul Stanley descendo de tirolesa em “Love Gun” e cantando para a plateia em um palco secundário, a guitarra de Tommy Thayersoltando rojões, plataforma da bateria sendo elevada e Eric Singer cantando em “Black Diamond”  e por fim uma chuva de papel picado ao som de “Rock and Roll All Night”.

Sem dúvida o KISS entrega uma das melhores performances de palco da história até hoje. E então , ao apagar das luzes, ao som de “God Gave Rock ‘n’ Roll to You II” surgem fogos de artifício deixando todos estarrecidos e com um belo sorriso no rosto para encerrar com maestria mais um Monsters of Rock Brasil histórico.

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