Sucesso internacional compondo em inglês








” – Será se para mandar uma mensagem com alcance  mundial eu preciso falar uma língua global? Ou será que todos tem o dever de traduzir?” O idioma inglês é sem dúvida a língua mais falada do mundo, e devemos considerar esse fato.

Sendo assim, para uma banda obter sucesso internacional, o caminho mais curto seria escrever letras em inglês?

É inegável que uma banda precisar compor suas musicas de acordo com o seu público alvo.

Nesse mundo globalizado em que vivemos, existe a necessidade de escolha de uma linguagem universal para facilitar a comunicação das massas.

Uma língua em comum, que iguale as responsabilidades de aprender, não só para quem frequenta um país estrangeiro, como também á quem recebe visitantes de fora.

Ainda existe um preconceito quanto á cultura inglesa no Brasil.

Isso pode ser explicado pela prerrogativa de que, se as pessoas dão mais valor ás musicas cantadas em inglês essas pessoas deixaram de lado as canções em português.

Assim essa prática iria fragilizar a cultura do Brasil em prol da cultura de outros povos.

Mas há de se admitir que a invenção dos estilos de música conhecidos como Rock N’ Roll, Blues ,Jazz ,Rap ,Pop, Disco Music, etc  deve-se majoritariamente aos norte-americanos.

O Rock N’ Roll foi o ritmo que mais persistiu em forte evidência desde o seu surgimento.

Ritmo esse, que de tão revolucionário cativou ate os antigos colonizadores das treze colônias, os ingleses, e por que não poderia cativar outros países como o Brasil?

A cultura brasileira sempre foi um mix de culturas, por si só é uma identidade baseada em varias identidades de povos.

Um novo tempero dessa identidade como a adição da cultura de língua inglesa ou suas musicas ao vocabulário cultural brasileiro só tem á somar e enriquecer ainda mais esse multiculturalismo.

Diante disso, surge um dilema: O rock fabricado aqui deveria ser cantado em português ou inglês?

Antes teríamos o argumento da comunicação, para atingir as pessoas de um país uma banda precisava cantar em idioma nativo, pois antigamente o acesso a informação era limitado, mas o mundo mudou.

O acesso a internet de baixo custo atingiu praticamente todas as classes sociais brasileiras, o “boom” tecnológico da década passada e o surgimento das Lan Houses com internet alugada por minutos tornou acessível a todos o aprendizado da língua inglesa.

O que dava para ver era milhares de pessoas traduzindo suas musicas preferidas e descobrindo o que o artista dizia.

Mas por que o inglês? Por que não o latim? O francês? O português?

Olhando para a história, os ingleses eram a maior potencia mundial, antes das guerras mundiais, e depois dessas guerras os norte-americanos tornaram-se a nova potencia mundial. Por ironia do destino ambos possuem o mesmo idioma.

Somado a isso, o idioma inglês é uma língua relativamente fácil de ser aprendida e assimilada, pois contem regras simples e poucas variações de significado.

Comparado ao idioma inglês, o português acaba se tornando uma espécie de código secreto para os estrangeiros.

Sendo assim, então, não fique tão chateado se um estrangeiro chega ao Brasil sem falar nada mais que “bruázil”! e samba!, enquanto você tem que ralar para aprender inglês se quiser visitar um pais de língua inglesa ou qualquer outro.

Então não há duvidas, nem existe volta, á essa altura o idioma global se tornou o inglês.

Hoje a maioria das pessoas já consegue identificar em uma primeira audição algumas palavras cantadas em inglês e seu significado, a mente das pessoas estão mudando, e com o advento dos smartphones a tradução da musica esta ali direto no player.

Isso une o prazer de ouvir musica ao aprendizado de uma língua universal.

Essa estratégia sempre esteve presente nos cursos de inglês. É uma das maneiras mais fáceis de aprender.

Tendo em vista toda essa perspectiva pode-se perceber também que as musicas de bandas e artistas solo, que não tem o inglês como línguas maternas, consagradas internacionalmente são em sua esmagadora maioria cantadas em inglês como: Scorpions (Alemanha), Europe (Suécia), Sepultura (Brasil), Angra (Brasil), A-HA(Noruega), etc.

Talvez se estas bandas tivessem tomado a decisão de cantar em seus complicados idiomas não fariam tamanho sucesso ou não sairiam de seus países de origem.

Não podemos ignorar que existem sim bandas que mesmo não escolhendo o inglês e usando seus idiomas nativos chegam á ter relevância mundial. Mas o caminho até lá é muito mais complicado.




Sendo assim não é justificável uma critica negativa a uma banda brasileira que decide cantar em inglês, ou o pior, falantes da língua inglesa recriminando artistas que se propõe a cantar em inglês.

Será o medo da concorrência? Aquela velha desculpa de um corriqueiro sotaque não é argumento válido, vide um pais médio como a Grã-Bretanha possuir entre os falantes de sua língua uma grande variedade de sotaques, e em países de proporção continental como os EUA também possuem regionalidades e particularidades entre os falantes da língua.

Assim como a comparação entre oinglês britânico e o inglês americano que possuem diferenças pontuais.

Um mero sotaque alemão cantando uma música em inglês se torna irrelevante.

Fala-se sotaque, apenas aquela pequena variação no falar que torna-se algumas vezes perceptível e não aquele caso de pessoas que falam errado o inglês por desconhecer a sonoridade de certas sílabas nas palavras , ai já é um outro caso.

Existe até o caso de bandas que sua língua nativa é o inglês mas o seu vocalista canta de uma forma que aglutina silabas. Dessa forma, até os próprios falantes da língua tem dificuldade de entender, como acontece na música da banda americana Pearl Jam –  “Alive”.

Dessa mesma forma acontece em algumas canções brasileiras como no caso da canção de Elis Regina onde a letra original diz: ” E você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”. E algumas pessoas entendem e reproduzem assim: “E você que é mal passado e que não vê…”

E outro caso mais bizarro é o de outra música brasileira onde se canta: “ Tocando B.B. King sem parar..” E as pessoas entendem o fatídico : “Trocando de biquíni sem parar…”

Então isso definitivamente prova que dentro da mesma língua existe formas diferentes de falar.

Se o vocalista cantasse mais pausadamente talvez essas confusões não aconteceriam, mas isso afetaria a arte e o resultado final como um todo.

Deve-se assumir que a música é apenas uma forma de arte que leva sensações ás pessoas e criar regras do que é certo ou errado apenas contribuiria para arruinar a criatividade do artista.

Alguns artistas brasileiros do rock se sentem na obrigatoriedade hoje de criar letras cada vez mais complexas e com palavras difíceis para não serem alvo de criticas negativas, pois as canções com letras simples ou que falam de amor devem ficar apenas com outros estilos que são denominados de música comercial.

Diga isso ao Scorpions com sua balda : “Eu continuo amando você” ( Still Loving You) ou ao Guns N’ Roses com a sua ( Minha Doce Criança) Sweet Child O’ Mine. Se essas mesmas canções fossem compostas em português por artistas brasileiros elas seriam taxadas de bregas.

Por isso cada vez mais bandas decidem cantar em inglês porque desejam se expressar quase que na espreita dos críticos que estão com quatro pedras nas mãos.

Assim em uma primeira audição o critico foca na melodia em si, depois que gostar olha a tradução, e até que não se torna tão repulsiva afinal uma canção de amor quando ninguém esta ouvindo o conteúdo explicito contido nela para te julgar não é mesmo?

O Brasil ainda é muito preconceituoso, e esse preconceito talvez afastou algumas camadas do rock.

Antigamente essas pessoas  sofriam com esses preconceitos e se uniam,  hoje se digladiam com suas vertentes e radicalizam o estilo ao extremo, afastando as possíveis novas gerações que seriam fãs do gênero.

O preconceito com a língua que os músicos escolhem para se comunicar com o público é apenas um fator que deve ser imediatamente superado.

  • Nunca fui muito fã de cantadas… Prefiro chegar no mais simples mesmo, começando om um ‘oi, tudo bem?’ e improvisando o resto