Alienação musical e cultural têm cura?








A alienação cultural marginaliza a visão crítica das pessoas em prol da proteção de verdades absolutas. Tendo como pressuposto apenas à possibilidade de inserção em um grupo social. Mas  tome cuidado! O seu comportamento e as músicas que ouve podem definir como as pessoas enxergam você, dar indícios de seu nível intelectual, sua visão de mundo e valores pessoais.

Mas como vencer essa tal alienação e obter  uma visão mais crítica e seletiva?

Nós temos o instinto de permanecer em grupo para sobreviver. Esse mesmo instinto nos faz absorver a cultura que está ao nosso redor para viver em equilíbrio com as pessoas que partilham de um mesmo comportamento. Essa é uma prática milenar: Ensinar valores prontos sem sombra de questionamentos.

As pessoas quando encontram-se nessa situação tendem à manterem-se neutras e apenas aceitam os valores que eram válidos antes de sua existência. Tendo essa ideia em mente, podemos olhar com um foco na indústria musical  atual  e perceber que ela vem se tornado um ciclo vicioso de cultura inútil.

Mas por que afirmar isso? Com base em que?

A criação de uma melodia musical consiste na união de notas em harmonia, tempo e ritmo para que algo novo surja em cada trabalho.Cada uma dessas criações fazem valer novas sensações aos ouvintes com suas nuances distintas e  significado único em seu enredo lírico. Mas o que fez com que a música perdesse a qualidade?

Dê uma olhada na história, no auge da criação artística  e o pleno vigor da musicalidade como quando viviam compositores clássicos como Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven ou Wolfgang Amadeus Mozart. Este último foi retratado no filme “Amadeus”  que mostra uma realidade da época que é raridade hoje em dia: Um músico que domina o seu instrumento e escreve suas composições em partitura. Mas não apenas o seu instrumento principal, no caso de Mozart era o piano e violino, mas também escrevia óperas inteiras. Escrevia todos os instrumentos dessas óperas mesmo sem saber tocá-los. No entanto, a melodia estava lá na sua mente com todas as nuances e formas funcionando em conjunto. Escrevia também os vocais, que deveriam soar como um acorde quando cantados em grupo.

Antes era assim que funcionava, o compositor não precisava necessariamente saber tocar todos os instrumentos que compunha a canção, muito menos saber cantar, era apenas o idealizador da canção, e funcionava muito bem naquela época. Pois existiam cantores e instrumentistas excelentes que poderiam até não saber compor (imaginar) mas executavam muito bem a obra.

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Mas então, as coisas começaram a mudar e o aprendizado da música foi se popularizando. Antes eram apenas crianças da elite que podiam aprender a tocar piano, por exemplo, e levavam muito à sério esse aprendizado, que era iniciado muito cedo antes dos 5 anos de idade.

Mais recentemente, já neste século  começamos a ver cantores que aprendiam apenas superficialmente o piano ou violão,  somente para servir de um mero acompanhamento para o seu canto, sem arranjos complexos e preocupação demasiada com melodias rebuscadas e muitos acompanhamentos.

E assim foi surgindo uma prática cada vez maior de simplicidade na música. Para torná-la mais acessível aos ouvidos menos exigentes e que buscavam apenas diversão.

Por um lado, a música  tornou-se mais democrática pois antes era necessário muitos anos de dedicação e estudo para aperfeiçoar  a técnica. Mas também a extrema facilidade das músicas simplórias encorajou o velório da criatividade e começávamos a ver apenas mais do mesmo por todos os cantos.

Fórmulas de sucesso instantâneo baseado no que as pessoas já estavam acostumadas a ouvir.

As pessoas foram perdendo a coragem de ousar e criar coisas novas.

Voltando para a realidade atual, o que se vê é o produto final dessa linha decadente que foi se formando á muitos anos:  São só repetições exaustivas dos mesmos temas.

Ao decorrer das gerações, os músicos estão cada vez menos preocupados em criar músicas de qualidade. Estes estão focando apenas na viabilidade comercial, além da facilidade de assimilação pela massa.

Em resumo, o que vemos no mercado não são artistas. Porque um artista vive de arte e assim concebe um produto que tenha qualidade para ser consumido e vendido para as pessoas.

O que vemos por ai são apenas empresários faturando em cima de “uma voz do momento” pré-fabricada para fazer o tal sucesso. Se fosse arte de verdade não haveria como fabricar um artista, pois a arte é subjetiva e não existe um padrão.

Estes produtos musicais de hoje utilizam métricas idênticas para atrair um público formado majoritariamente de pré-adolescentes e adultos em busca de aceitação social.

Ao ver alguns programas de televisão  podemos perceber o seguinte conceito: Uma matéria que trata da construção da carreira de um músico X, que até então era totalmente desconhecido, que estava sendo preparado para a indústria. Tendo seu comportamento e imagem moldados para o público, assim como sua voz e música seguiriam a mesma “fórmula de sucesso”.

Atrás desses jovens existe um investidor que aplica o dinheiro e recebe de volta com o sucesso adquirido. E então quando o público se cansa da imagem do jovem músico esses investidores procuram um novo.

Nessa ótica moderna, percebemos o ínfimo valor e baixa durabilidade das canções compostas hoje em dia.

Elas duram apenas uma curta temporada na mídia e depois somem, são as famosas músicas de verão, cada ano possui um punhado delas que fazem um estardalhaço enorme e as pessoas rapidamente se cansam e querem novas.

Se o músico pré-fabricado não tiver capacidade de desenvolver centenas de músicas com o mesmo teor apelativo e de fácil assimilação, devido à suas similaridades que tendem à alterar apenas os pontos chaves  dessas composições, ele deverá se aproximar do anonimato com a mesma velocidade que obteve o sucesso.

Por que até hoje muitas pessoas ouvem aquele chamado flash back dos anos 80 ou 90?

Por que a Disco Music e Hard Rock dos anos 70 ainda meche com o imaginário das pessoas?

Por que essas músicas antigas ainda emocionam um primeiro ouvinte e são as principais escolhas de trilhas sonoras de filmes novos?

Você já viu com certeza alguns filmes brasileiros. Existe uma grande possibilidade de a trilha sonora desses filmes não conter sertanejo universitário, forró, funk carioca e pagode. Mas por quê? Esses ritmos estão em alta no Brasil.

Por que um casal que se conheceu ao som de “ Vai no banheiro para agente se beijar” ou “Ai se eu te pego” não colocam uma dessas canções como trilha sonora de seu casamento? Não estou querendo ser apedrejado aqui mas essa linha de pensamento  pode dar à liberdade aqui de dizer que as pessoas tem consciência, mesmo que camuflada, da mediocridade dessas músicas. Com certeza não se sentirão confortáveis de ver os seus filhos escutando tais músicas no futuro.

Mas pelo senso comum e em busca de aceitação social acabam achando normal os filhos gostarem de músicas que dizem que a filha de alguém deve rebolar até o chão e usar uma saia curta. Não, eles preferem criticar o rock e o blues dizendo que são ritmos do demônio por que usam distorção de guitarra? Por que fazem as pessoas pararem para pensar pois essas canções dispõe de letras bem elaboradas? . Mas isso é assunto para outro post.

Mas a música não se limita apenas ao instrumental.


Você presta atenção nas letras das músicas que anda escutando?

As letras têm um papel importantíssimo: Elas são o canal de comunicação entre o artista e o público. O músico tem um poder de persuasão com sua arte e isso deve ser feito com responsabilidade.

Hoje em dia o que vemos por ai são letras com apelo á violência física ou sexual, á ilusão de dinheiro fácil, ostentação de bens materiais, uso da imagem feminina servindo de objeto sexual, o culto ao sofrimento como base de desculpa para vícios e também o ato de culpar sempre os outros pelos seus próprios problemas.

Esse conteúdo é extremamente perigoso, pois forma a personalidade do ouvinte. Este acaba achando que o teor dessas letras de música correspondem a realidade e a normalidade. Por exemplo, uma criança hoje do sexo masculino no Brasil ao ouvir dezenas de músicas com esse teor cresce acreditando ideologia desse tipo: – Para que eu me torne homem perante a sociedade preciso conquistar muitas mulheres com base nos meus bens materiais e ser infiel. E a ideologia feminina é cultuar um corpo sarado para chamar a atenção dos homens mais bem sucedidos e conquistar estabilidade financeira. Isso gera uma preocupação desacerbada em obter carros luxuosos e esbanjar em festas para vender uma imagem de sucesso.

O músico brasileiro canta sobre  carros esportivos, as mulheres se deslumbram e os homens comuns caem em financiamentos eternos para atender os caprichos de uma sociedade fragilizada. O músico canta ainda sobre gostar de mulheres com pouca idade e o homem comum é preso por aliciar menores. O músico canta sobre farras e bebida alcoólica todo dia, o homem comum perde parte de sua renda e cai em um vício degradante.

Então é notório que o artista precisa ser responsabilizado pelo conteúdo de suas canções, pois ele querendo ou não é um formador de opiniões.

Não estamos falando de censura. A liberdade de expressão é um pilar sociedade em que vivemos e deve ser respeitada. Estamos falando de colocar cada um em seu devido lugar. Usar linguagem chula e com teor sexual na frente de alguém configura atentado ao pudor o que é crime. Então por que as letras de musicas estariam imunes?

Ninguém é obrigado á ouvir músicas com esse conteúdo em locais públicos por isso deve ser incentivado o uso de fones de ouvido e o controle de execução dessas músicas em locais de uso comum.

Afinal se o gosto é seu por que colocar em um alto falante para que todo mundo possa ouvir? Esta inseguro em busca de autoafirmação? Imagine o prejuízo que tais músicas fazem na cabeça de pobres crianças!

De uma vez por todas sejamos francos. Vamos lembrar daqueles bons tempos da música brasileira desde os primórdios onde o MPB, Rock, Pop etc usavam uma linguagem leve e descontraída, falando das curvas da estrada de Santos e da beleza da garota de Ipanema e o mais importante: usavam a música para discutir temas sociais relevantes como a o descontentamento politico com a ditadura e a corrupção.

Até as marchinhas carnavalescas eram mais responsáveis, mesmo só indo para o carnaval quem queria, essas canções tinham duplo sentido e só via maldade quem queria ver. Claro que esse duplo sentido era proposital, mas de certa forma uma criança desavisada que eventualmente ouvisse tal música não entenderia do que se tratava.

Então onde estão os músicos que se preocupam em passar uma mensagem positiva hoje em dia? Onde esse empobrecimento cultural vai chegar? Voltaremos ao tempo arcaico de ignorância onde o que só importava era a reprodução sexual e status social? O que será preciso para curar a alienação musical e cultural? Comente!

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