Músicas Definitivas 1#: Ano – 1955








“O Em Busca do Rock apresenta orgulhosamente a série Músicas Definitivas 1#: 1955. Esta série listará as 10 músicas mais influentes lançadas em um determinado ano da história, considerando sua popularidade desde a época de lançamento até os dias de hoje.  A redação do site definiu o ponto de partida no ano de 1955, por ser um ano que marcou uma forte transição cultural e de liberdade criativa com o surgimento do rock and roll, questionamento de estereótipos e censuras, assim como o inicio da ruptura da barreira que existia entre etnias.”

Músicas Definitivas 1#: Ano – 1955

10 – Julie London – Cry me a river

“Cry me a River” é originalmente uma canção de jazz blues que é bastante conhecida até hoje mesmo após décadas de seu lançamento.

Ela foi originalmente escrita em 1953  para a Ella Fitzgerald cantar no filme “Pete Kelly’s Blues”, mas a canção foi cortada.

Assim a primeira e mais famosa gravação acabou sendo feita pela cantora Julie London em 1955 e foi um sucesso imediato.

Já foi regravada incansavelmente diversas vezes pelos mais variados artistas incluindo: Joe Cocker, Aerosmith, Michael Bublé, Diana Krall e Lana Del Rey. Confira abaixo a versão original e os covers executados pelo Aerosmith e Lana Del Rey.

9 – The Platters  – Only You

Essa música foi originalmente lançada em 1954 mas não obteve notoriedade até ser regravada e editada em 1955 e só ai  obteve grande reconhecimento.  Ela bateu no número cinco na Billboard Hot 100 e permaneceu lá por 30 semanas até ser desbancada por outra balada  do The Platters, “The Great Pretender”, ambas as músicas estiveram na trilha sonora do filme “Rock Around the Clock” (1956).

Foi um grande sucesso nas paradas  de rhythm and blues sendo regravada por nomes como Elvis Presley, Roy Orbison e mais tarde também por Ringo Starr à pedido de seu ex-companheiro de banda John Lennon em 1974 no álbum “Goodnight Vienna” onde John toca guitarra base. Existe uma versão em que o próprio Lennon canta a música no box set “John Lennon Anthology “(1998).

Foi uma das baladas que inspiraram muitos casais apaixonados e continuou sendo facilmente reconhecida até hoje. As versões gravadas posteriormente são muito parecidas com a clássica versão original à seguir.

8 – Chordettes – Mr. Sandman

Essa canção foi gravada pelo quarteto feminino The Chordettes com uma interessantíssimo arranjo vocal. Foi número um nas paradas americanas por 7 semanas. Ela voltou à tona na trilha sonora do filme “Back to The Future (De Volta para o Futuro)” (1985) onde o protagonista sempre acabada voltando para o ano de 1955.

A banda alemã Blind Guardian lançou uma curiosa versão da música em 1996 que ganhou até um videoclipe, onde os integrantes da banda estão vestidos como as Chordettes. Nessa versão a música inicia apenas com a guitarra ao fundo funkeado a canção até que o estilo da banda toma conta e ela acaba se tornando um verdadeiro power metal.

7 – Frank Sinatra     Learnin’ The Blues

“Learnin’ the Blues” é uma de música do escritor  Dolores “Vicki” Silvers e foi interpretada inicialmente por Frank Sinatra em 1955. Foi a canção mais tocada nas rádios dos EUA nas semanas de 3-9 e 24-30 de julho de 1955. As vendas do single alcançaram a posição # 2 nas paradas britânicas NME em agosto de 1955, e em # 1 nas paradas australianas para a semana de 13-19 novembro de 1955.  Learnin’ the blues foi classificada em # 14 no final do ano pelo ranking da Billboard. Sinatra regravou a canção em 1962 para o álbum “Sinatra-Basie”.

Posteriormente foram lançados  covers interpretados por  Rosemary Clooney  em seu álbum “On Stage” (1955), Ella Fitzgerald e Louis Armstrong em seu álbum  “Ella an Louis Again” (1957) Katie Melua no seu primeiro álbum “Call Off The Search” (2003), Del McCoury em seu álbum de 2001 “Del and the Boys”, e por Laura Dickinson no seu primeiro álbum “One For My Baby – To Frank Sinatra With Love” (2014). Durante o Grammy Awards 2008,  Alicia Keys iniciou a noite cantando “Learnin ‘the Blues” ao lado de imagens de arquivo de Frank Sinatra.

6 – Tennessee Ernie Ford – Sixteen Tons

“Sixteen Tons” tem uma forte crítica social em sua letra, onde conta a dura vida de um mineiro de carvão: “You load sixteen tons, what do you get? Another day older and deeper in debt.  Saint Peter, don’t you call me, ’cause I can’t go;I owe my soul to the company store” (Você carrega 16 toneladas, o que você consegue? Fica um dia mais velho e mais endividado, São Pedro, não me chame, porque não posso ir. Eu devo minha alma à loja da companhia…).

Esse trecho é uma referência à escravidão por dívida. Nesse sistema, os trabalhadores não recebem salário em dinheiro vivo, em vez disso recebem créditos não conversíveis fora da loja da companhia. Isto torna a economia e o uso do dinheiro impossíveis aos trabalhadores. Essa canção é creditada originalmente ao compositor Merle Travis que a gravou em 1946, mas foi a versão gravada por Tennessee Ernie Ford em 1955 que ganhou destaque mundial.

Desde então ela já foi regravada inúmeras vezes ao decorrer das décadas em variados estilos e línguas. Existe uma versão dessa música lançada no Brasil na década de 1960 por Noriel Vilela traduzindo o título para “16 toneladas”, mas a versão em português tem uma letra completamente diferente da versão original. Na versão brasileira foi substituído o pesado tema de exploração de trabalhadores por uma descrição do ritmo sambalanço. É… no Brasil todos os problemas acabam em samba até hoje :).

Sixteen Tons vendeu mais de 20 milhões de cópias e chegou ao topo das paradas talvez por causar identificação com a vida da maioria das pessoas. Outro notório cover dessa música foi lançado por Johnny Cash em 1987 no álbum “Johnny Cash Is Coming to Town”. 

5 – Georgia Gibbs – Dance With Me Henry

“The Wallflower” (também conhecida como  “Roll with Me, Henry” e “Dance with Me Henry”) foi escrita por Johnny Otis, Hank Ballard, e Etta James. Etta James gravou para Modern Records sob o título “The Wallflower” e tornou-se um hit do rhythm and blues, atingiu o topo das paradas EUA R&B por 4 semanas.

Esta versão original não foi tocada em estações de rádio pop por ser considerada um risco. Em 1955, a canção foi regravada para o mercado pop por Georgia Gibbs sob o título “Dance with Me Henry”. Essa versão atingindo as cinco primeiras posições de várias paradas de sucesso, incluindo o número um nas mais tocadas no catálogo das Juke Boxes em 14 de Maio de 1955 onde passou três semanas no topo. Em 1958, Etta James fez mais uma versão de “Dance with Me Henry” com uma levada mais acelerada.

Em 2008, Etta James recebeu um Grammy Hall of Fame Award por sua gravação de 1955.
A música inspirou o título do filme “Dance With Me Henry (1956)”. Ela também foi incluída nos filmes “Sister Act” (Mudança de Hábito) (1992) e “Back to the Future” (De Volta para o Futuro)(1985).

A música utiliza a progressão de acordes do blues conhecida como 12-bar blues, muito utilizada posteriormente nas canções de Rock N’ Roll. Sendo assim uma importante inspiração para as várias músicas posteriormente lançadas.




4 – Fats Domino – Ain’t That A Shame

A canção do Fats Domino foi um sucesso em 1955 e acabou vendendo um milhão de cópias. Alcançou o número 1 na parada Bilboard R&B e número 10 na parada pop. A canção é classificada como número #438 na lista da  Rolling Stone Magazine das 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos.

Curiosamente a canção só ganhou fama após ser regravada pelo artista Pat Boone. Contudo a versão do Fats Domino logo se tornou mais popular, trazendo grande visibilidade ao grupo. Uma versão da canção, com uma levada diferente, feita pelo Four Seasons alcançou o número 22 nas paradas da Billboard em 1963.

Segundo relatos, Pat Boone sugeriu mudar o título e a letra da música para torná-la mais atraente para o público, mas foi dissuadido por seus produtores.  No entanto, a gravação de Boone em 1955 foi sua primeira canção que alcançou o número um da  Billboard. “Ain’t That a Shame” foi a primeira música que John Lennon aprendeu a tocar. Mais tarde, ele a regravou no álbum “Rock ‘n’ Roll” (1975), mas tarde seu companheiro de banda Paul McCartney também regravaria. Fats Domino tocaram  a música no filme  Shake, Rattle & Rock! (1956).

A canção é lembrada constantemente também nas décadas seguintes nos filmes “American Graffiti” (1973) ,”Mischief” (1985), , “L. A. Story” (1991) , “School Ties” (1992) e “October Sky” (1999) . Em abril de 2007, a canção pode ser ouvida em comerciais da “Dr Pepper” (marca de refrigerantes americana).

Ela também pode ser ouvida no final da quarta temporada final da série de televisão “The Shield” (2005). E  foi incluída na trilha sonora do videogame “Mafia II” lançado em 2010. A banda americana Cheap Trick lançou em 1979 um cover para a música em seu álbum ao vivo “Cheap Trick at Budokan”.

Existem relatos que o Fats Domino consideram essa versão a favorita dentre todas já lançadas. O Cheap Trick tocou a música na edição de 2016 da cerimônia de Indução do Rock and Roll Hall of Fame. Eles se juntaram a Robert Lamm, James Pankow, Lee Loughnane e Walter Parazaider da banda Chicago, David Coverdale e Glenn Hughes do Deep Purple, Steve Miller, Sheryl Crow, Grace Potter, Steven Van Zandt, Rob Thomas e Paul Shaffer.

3 – Chuck Berry – Maybellene

Esta canção foi o primeiro hit do icônico guitarrista Chuck Berry. “Maybellene” é considerada uma das primeiras canções de Rock N’ Roll. A Rolling Stone Magazine publicou: ” A guitarra Rock N’ Roll têm início aqui. “

O registro é um exemplo precoce da essência do estilo que estava em formação: em suas letras um assunto jovem da época; uma pequena combinação guitarra e drive, linguagem clara e direta, e uma atmosfera de excitação incessante.

A letra descreve um homem dirigindo um Ford V8 perseguindo sua namorada infiel em seu Cadillac Coupe DeVille . A letra apelava para adolescentes fascinados por carros, velocidade e sexualidade. Com os riffs inimitáveis de Chuck Berry, seu blues atacando a guitarra com velocidade  acompanhados pelo piano constante tornou “Maybellene” uma canção fundamental para o surgimento de rock and roll.

A canção foi um grande sucesso, tanto entre o público negro como branco, podemos dizer que a música e o gênero rock que ali ia se formando quebrou barreiras e foi capaz de unir uma população ainda com fortes preconceitos étnicos.

Essa canção recebeu inúmeras homenagens e prêmios. Logo após seu lançamento inicial , covers foram gravadas por vários outros artistas incluindo Elvis Presley, The Everly Brothers, Simon and Garfunkel, George Jones, Carl Perkins, Johnny Cash, Bubba Sparks, Foghat, Gerry & the Pacemakers, Johnny Rivers e Chubby Checker.

Em 1955 a canção atingiu o numero #5 na Billboard pop e foi numero #1 na parada de R&B. Nas paradas de fim de ano da Billboard, em 1955, “Maybellene” ficou com o numero #3 no Top R&B, registros de vendas e índices de players em Juke Box. A gravação vendeu um milhão de cópias até o final de 1955.

Em 1988,  foi introduzida no “Grammy Hall of Fame” por sua influência como gravação de rock and roll. O “Rock and Roll Hall of Fame” a incluiu  na sua lista dos “500 canções que moldaram Rock and Roll”. Em 1999, a” National Public Radio” a incluiu como uma das cem musicas americanas mais importantes do século 20. Está atualmente classificada pelo site “Acclaimed Music” como a #98 Greatest Song of All Time, bem como a segunda melhor canção de 1955. Já pela Revista Rolling Stone ela é classificada como número #18 na lista dos “500 Greatest Songs of All Time.”

2 – Bill Haley and His Comets – Rock Around The Clock

“Rock Around the Clock” foi primeiramente lançada em 1954 como Lado B de “Thirteen Women (and Only One Man in Town).” A canção até entrou na parada Cashbox dos EUA, mas foi considerada um insucesso comercial. Sua escalada ao sucesso só veio em 1955, quando foi usada como tema de abertura do filme “Blackboard Jungle”.

Em 9 de julho de 1955, “Rock Around the Clock” se tornou a primeira gravação de rock and roll a chegar ao topo da Pop Charts da Billboard, uma conquista repetida em outras paradas pelo mundo. A canção ficou no topo por oito semanas. Ela também ficou sete semanas no topo da Pop Singles Chart da Cashbox em 1955. A versão de Bill Haley também foi a 3º colocada nas paradas R&B. A Billboard a considerou a segunda melhor canção de 1955. No Reino Unido ela chegou no 17ª colocação na UK Singles Chart em janeiro de 1955.

A faixa entrou novamente nas paradas e chegou ao topo em novembro de 1955, ficando lá por três semanas, caindo por mais três semanas, e depois voltando por mais duas em janeiro de 1956. Ela retornou mais uma vez as paradas em setembro de 1956, chegando à 5ª colocação. A canção foi relançada em 1968, chegando à 20ª colocação, e novamente em 1974, alcançando a 12ª colocação.

O lançamento original da faixa foi o primeiro single a vender um milhão de cópias e chegou à marca total de 1,4 milhão de cópias. O  maior feito dessa canção foi ser uma das principais responsáveis pela popularização do estilo Rock and Roll que antes era um estilo marginalizado e do gueto norte-americano por ser executado majoritariamente por artistas negros. E o fato de um artista branco tocar tal ritmo abriu um leque de integração social.  A música é tema do filme de mesmo nome “Rock Around The Clock ” (1956).

O filme avançou a causa da integração, mostrando músicos brancos que tocavam nos mesmos locais que artistas negros. Uma revolução social na época. No Brasil o cantor Raul Seixas lançou uma versão para música em 1973 no  álbum “Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock”.

 

1 – Les Baxter/ Al Hibbler / Roy Hamilton – Unchained Melody

 

“Unchained Melody” foi composta em 1955 com música de Alex North e letra de Hy Zaret. North usou a música como um tema para o filme pouco conhecido chamado “Unchained”, daí o nome. Todd Duncan cantou os vocais para a trilha sonora do filme e a canção chegou a indicada ao Oscar.

Desde então ela se tornou uma das músicas mais regravadas do século 20, o cover mais notável de todos foi feito pelos Righteous Brothers em 1965. De acordo com o administrador da publicação da canção, mais de 1.500 gravações de “Unchained Melody” foram feitas por mais de 670 artistas em vários idiomas. Les Baxter lançou uma versão que alcançou o número #1 nas paradas dos EUA e número #10 no Reino Unido. a expressão “unchain me” é cantada repetidamente no início e as letras são cantadas por um coro. A Billboard classificou esta versão como a numero top #5 de 1955.

Ainda em 1955 três versões da canção feitas por Les Baxter, Al Hibbler e Roy Hamilton separadamente alcançaram o Top #10 da Billboard nos Estados Unidos, e quatro versões de Al Hibbler, Les Baxter, Jimmy Jovens e Liberace apareceram no Top #20 do Reino Unido, simultaneamente. Um patamar invencível para qualquer canção. A versão do Righteous Brothers lançada dez anos mais tarde em 1965 fez bastante sucesso e posteriormente essa versão fez parte da trilha sonora do filme “Ghost (Ghost: Do outro lado da vida)” em 1990 quando novamente voltou à tona com altíssima popularidade e ganhou uma nova versão feita pelos Righteous Brothers, essa por sua vez ganhou disco de platina e recebeu uma indicação ao Grammy.

A versão de 1965 foi relançada ainda em 1990 e as duas versões figuraram na “Billboard Hot 100″ simultaneamente e depois ambas alcançaram o Top 20. A nova versão alcançou o primeiro lugar em vários países como Reino Unido,Austrália, Áustria, Irlanda, Holanda, e Nova Zelândia. O cover de “Unchained Melody” dos Righteous Brothers é agora amplamente considerada a versão definitiva da canção. Em 2004, ela terminou no posição #27 da lista  “AFI’s 100 Years…100 Songs” que fez o levantamento das principais músicas no cinema americano.

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