Rock In Rio 2017: O que esperar do festival ?

“O Em Busca do Rock estará presente nos dias 21, 22, 23 e 24 de setembro na sétima edição do festival carioca. O evento ocorrerá pela primeira vez no Parque Olímpico. “

Aqui iremos dar início a nossa cobertura apresentando todas as novidades desse ano. Comentaremos o line up de cada dia, discutiremos os pontos positivos e negativos e elegeremos o pior e o melhor dia de evento”.

Essa matéria é dedicada aos 700 mil sortudos que garantiram os ingressos para o RIR e para quem têm interesse de ir nas futuras edições. Então vamos lá!




Não podemos iniciar uma conversa sobre o Rock In Rio 2017 sem antes dar os parabéns aos organizadores por trazerem finalmente ao Brasil o inédito The Who (mas informações abaixo), Def Leppard (que deveria ter vindo na edição de 1985), dar mais uma oportunidade para quem perdeu os shows de reunião da lendária formação do Guns N’ Roses e  trazer a turnê de despedida do Aerosmith de volta ao Brasil.

Tudo isso pode ser conferido em apenas dois dias (21 e 23 de setembro) e por um custo similar ao cobrado por apenas um show solo de um desses artistas aqui no Brasil. Esse é sem dúvida o ponto alto do evento!

Mesmo com os acertos, a cada edição ocorre sempre o mesmo jogo de amor e ódio entre os fãs do Rock In Rio. O marketing é sempre escandaloso nos meses que antecedem o evento gerando sempre muita expectativa, mas a cada confirmação no cast do festival o público fica sempre dividido.

E as repetições? Não tem como fugir delas, afinal o público pede sempre os mesmos nomes não é mesmo?

“Já anunciamos por aqui em dezembro, meses antes da confirmação oficial, a participação do Guns N’ Roses e Lady Gaga como headliners do festival, mas decidimos dar uma pausa nos anúncios antecipados e esperar até que todos os nomes estivessem escalados e divulgados oficialmente pelo evento.”

No meio do caminho tivemos o cancelamento do Billy Idol que tocaria no dia 21 de setembro. Isso gerou uma certa desistência dos fãs que compraram ingressos para esse dia, além do mais existe o fato desse dia ser uma quinta feira e isso atrapalha qualquer programação de quem não mora no Rio de Janeiro.

Sendo assim, esse dia precisou ser melhorado e ganhou o upgrade de 3 bandas internacionais: The Pretty Reckless e The Kills que tocarão no palco Sunset e o substituto do Idol no palco mundo é o Fall Out Boy.

Nas três últimas edições o festival criou o padrão de ter 4 nomes em cada dia no Palco Mundo, sendo um deles um nome nacional e três internacionais, que precisam ser necessariamente do cenário mainstream, ou seja, nada de apostas.

O Palco Sunset é sempre uma surpresa, mas espera-se que tenha pelo menos um nome internacional relevante além dos tradicionais encontros musicais de variados estilos.

O festival segue uma fórmula de sucesso garantida e tenta agradar todas as idades com uma gama variada de atrações de diferentes épocas e estilos.

Sendo assim, encontramos artistas que interessam desde o público mais maduro até os mais jovens. Acaba virando um evento de família. O pai vai no dia 24 ver o Red Hot Chilli Peppers e leva os filhos que querem ver o Thirty Seconds to Mars, por exemplo. Essa regra se aplica em todos os dias do festival.

Em resumo, um linep up de Rock In Rio não foi feito para atrair um público de nicho, como se vê em outros festivais, e sim diversas tribos que escolhem um dia por 2 ou 3 atrações dentre um mar de opções disponíveis e aproveitam o tempo livre para circular por outras formas de entretenimento que o festival proporciona, e isso é o que veremos a seguir.

Opções de atividades paralelas aos shows:

Além da música para todos os gostos, temos uma infinidade de opções de entretenimento dentro do festival, tais como os tradicionais brinquedos, típicos de parque de diversões como roda gigante e montanha russa até a tradicional tirolesa que virou a cara do festival.

Os patrocinadores do evento estão sempre em peso dentro do festival realizando campanhas e distribuindo brindes como as pulseirinhas que brilham.

Uma novidade que observamos já na edição de 2015 foi a otimização da fila dos brinquedos, que contava com um sistema de agendamento bastante eficiente, permitindo que você espere a sua vez enquanto circula normalmente pelos palcos, aproveitando ao máximo a experiência do evento. Um ponto bastante positivo.

Digital Stage e Game XP

O festival trouxe mais opções ao público como o novo palco chamado Digital Stage que contará com os fenômenos da internet como o humorista Whindersson Nunes (16/09) e o nostálgico Felipe Castanhari (24/09).

Já o evento ‘Game XP’ será realizado dentro das arenas olímpicas e conta com a parceira da Comic Com Experience. O novo evento dentro da cidade do rock terá batalhas entre celebridades, lançamentos de games e atividades com o público.

Pulseiras

Esse é o ano de estreia das pulseiras nos festivais brasileiros! Com ela você poderá adquirir todos os itens comercializados dentro do festival  apenas encostando o chip da pulseira em um leitor mas no Rock In Rio por enquanto ela será usada apenas como ingresso as compras ainda serão pelo meio tradicional dinheiro e cartão.  A expectativa é que ela também seja utilizada na fila dos brinquedos substituindo o celular como aconteceu em 2015, vamos aguardar!

Drones

100 drones vão realizar acrobacias e no céu da Cidade do Rock. O show de luzes acontecerá no intervalo entre o terceiro e o último show no Palco Mundo, segundo informações divulgadas pelo evento.

Rock District

Outra novidade é o novo bairro da cidade do rock chamado de Rock District que irá receber artistas nacionais e terá uma banda residente que toca em todos os dias de festival denominada Rock Street Band. A banda é na verdade um supergrupo de artistas que inclui Mauro Berman (baixo), Lourenço Monteiro (bateria), Ge Fonseca (teclado), Fernando Vidal (guitarra) e André Frateschi (vocal).

Rock Street

Esse ano a Rock Street fará uma homenagem à África. Terá toda a sua temática e prédios baseados no continente africano e terá apresentações artísticas de Les Tambours de Brazza, Fredy Massamba, Tyous Gnaoua nos três primeiros dias de evento e Ba Cissoko, Mamani Keïta, Alfred et Bernard nos quatro dias seguintes.

Gourmet Square

A Gourmet Square contará com 14  pontos gastronômicos com cardápios de chefs famosos. A nova área de alimentação foi inspirada no Mercado da Ribeira, de Lisboa. Terá mil metros quadrados climatizados e capacidade para 630 lugares sentados. Um bom avanço em opções de alimentação.

Eletrônica

A tenda eletrônica do festival terá por volta de 40 atrações distribuídas em 7 dias de evento, como alternativa aos palcos Mundo e Sunset. Nesta edição virão nomes como The Black Madonna , Grandmaster Flash, Chemical Surf, Rob Garza, Maya Jane Coles, Illusionize e Vintage Culture.

Despois de tantas opções só nos resta analisar o grande carro chefe do festival que são os shows principais do Palco Mundo e Palco Sunset:

Então vamos lá novamente!




15/09 – Lady Gaga

Palco Mundo

Lady Gaga é uma cantora interessante de se ver até para quem não curte o gênero pop. Ela causou bastante barulho no início da carreira, mais por ter um estilo extravagante do que pela sua música em si. Esfriando um pouco a euforia do início de carreira ela tem evoluído musicalmente e agora se encontra mais madura e concisa em seu novo álbum “Joanne” , onde  traz uma grande variedade de estilos como country, funk, dance, rock e folk.

Recentemente ela fez uma apresentação matadora no intervalo do superbowl onde recebeu críticas muito positivas principalmente por dispensar o playback. Entretanto, deu uma escorregada na apresentação que fez com o Metallica na cerimônia do Grammy Awards onde mostrou uma performance no mínimo cômica (dançando de forma exagerada e fora do contexto da música)! Mas ela é sem dúvida um ótimo headliner para um dos dias Pop do evento.

A banda que antecede o show da Gaga é a 5 Seconds of Summer. Para quem não conhece, o nome da banda já denuncia um pouco… Sim, é voltada para adolescentes, do sexo feminino mais especificamente, não da para negar, é só observar um vídeo de show e constatar quando o público aparece. É denominada como Pop Punk, existe isso? Em vez de canções de protesto temos canções com letras adocicadas e guitarras. Pois é, mais uma banda que terá seus 5 segundos de verão, é a realidade, lembra da extinta banda One Direction ? Pois é. Mas leva público né? Fazer o que.

Um grande acerto para esse dia é a dupla Pet Shop Boys! Um daqueles flash backs que ninguém dispensa. Quem nunca ouviu por aí  “Domino Dancing”? Além de outros sucessos como “It’s A Sin” e “Always On My Mind”.  Ah, ainda temos Ivete Sangalo para abrir o palco mundo.

Um dos pontos negativos dessa escalação primeiramente é a ordem dos shows quando Pet Shop Boys antecede 5SOSque é uma banda muito nova e com um público muito seleto que notadamente não estará muito afim de ver o show da dupla oitentista mas mesmo assim estarão lá na frente do palco já esperando a sua banda preferida. Isso atrapalha um pouco quem quer curtir o show do PSB. Deveriam deixar o melhor para o final. Também deve-se levar nota da insistência na convocação de Ivete Sangalo que já está bastante manjada não só no Rock In Rio como em qualquer canto do Brasil, haja carnaval! Mas como sabemos que o festival preza pela diversidade e também não deixa de ser um evento para gringo apreciar também, como comentamos nesse post   , é até aceitável.

Palco Sunset

No Palco Sunset nesse dia temos um encontro muito interessante que é o da cantora Céu e a banda de rock psicodélico Boogarins.  O Em Busca do Rock assistiu ao show da Céu no Lollapalooza 2017 e do Boogarins no Lollapalooza 2015, e constatamos que os shows individuais são de arrepiar! Então esse encontro promete!

Teremos também um encontro chamado “Salve o Samba” que contará terá como participantes: Monarco, Martinho da Vila, Jorge Aragão, Alcione, Roberta Sá e Mart’nália e Criolo. Para completar temos mais música brasileira com a Fernanda Abreu (ex-Blitz) e para não dizer que não teve atração internacional no sunset vai ter o DJ SG Lewis.

Rock District

No Rock District teremos shows do  George Israel (Kid Abelha) e da banda da casa Rock Street Band.

Nota 8.0 (BOM)

O dia de abertura deixou uma sensação de que não foi devidamente articulado. Alguns nomes do Sunset caberiam bem no Rock District e alguns nomes do Palco Mundo caberiam muito bem no Sunset, e assim, liberaria espaço para um terceiro nome internacional no palco principal. O dia não ficou 100%.

16/09 – Maroon 5

Palco Mundo

Certo, eles têm público, mas não têm aquela força de ser uma banda “arrasta quarteirão”, cairiam melhor como abertura. Mas na falta de um Coldplay como ocorreu em 2011 (já ouvimos alguns comentários de jornalistas afirmando que o Coldplay seria headliner do Rock In Rio se não tivessem de folga no mês de setembro), então tiveram que promover o Maroon 5.

Assim como o dia anterior temos também um apelo ao público adolescente  com o cantor Shawn Mendes e uma atração mais neutra como a talentosa cantora Fergie, dissidente da banda Black Eyed Peas. Caberia nesse dia um headliner com mais peso. O dia ficou fraco. A banda brasileira de abertura é Skank, dentro dos padrões.

Palco Sunset

No palco sunset tivemos uma homenagem ao samba no dia anterior e nesse dia temos uma homenagem à João Donato com participações de Lucy Alves, Emanuelle Araújo, Tiê e Mariana Aydar. Logo em seguida teremos Blitz com Alice Caymmi e Davi Moraes, no mínimo interessante.

Charles Bradley & His Extraordinaires parece um veterano contemporâneo de James Brown mas não! Ele está apenas no início de sua carreira e já está fazendo bastante barulho e sucesso. Já para encerrar o palco nesse dia temos o também novato Miguel que convida Emicida misturando Rap e R& B.

Rock District

No Rock District teremos shows da banda  Jamz (vice-campeã do programa Superstar) e da banda da casa Rock Street Band.

Nota 6.5 (Ruim)

Esse dia temos alguns nomes relevantes para públicos de ninho mas faltou bandas que atraíssem um público mais geral ou maduro e a falta de um headliner de peso e poucos nomes internacionais no sunset fez com que o dia ficasse apenas 50%. Obs: O dia foi um dos primeiros a esgotar devido a presença de nomes de apelo momentâneo, vende ingressos mas não torna o memorável. 

17/09 – Justin Timberlake

Palco Mundo

Aqui temos a mesma dobradinha de 2013. O cantor pop Justin Timberlake com abertura de Alicia Keys, que mesmo sendo abertura é na verdade o que traz mais competência musical ao palco mundo nesse dia com sua bela voz acompanhada pelo piano. Espera-se ouvir hits como “Fallin’ “e “Empire State of Mind”.

Assim como ocorre no dia do Maroon 5 fica aquela sensação de que dava para melhorar um pouco. Parece até padrão, mas novamente temos outra banda “pop teenage” no palco mundo: O Walk The Moon , que veio ao Lollapalooza Brasil de 2016 e trouxe seu “one hit wonder: “Shut Up And Dance”. Para fechar a conta do palco mundo desse dia temos o Frejat (ex-Barão Vermelho).

Palco Sunset

O grande acerto desse dia foi a presença de Nile Rogers & Chic que é guitarrista e produtor musical e já tocou com Aretha Franklin. Com sua banda Chic lançou sucessos como “Le Freak” e “Good Times”. Além de ter trabalhado com  Michael Jackson, David Bowie, Madonna, Lady Gaga e Daft Punk, um currículo e tanto!

Outra excelente atração desse palco é Maria Rita, que ecoa a voz de sua mãe a eterna Elis Regina, mas que criou seu próprio nome e seus próprios sucessos. Ela recebe no palco a cantora americana de Jazz Melody Gardot para juntas realizarem uma homenagem a Ella Fitzgerald uma das maiores cantoras do século XX.  Três nomes que estão em ascensão no MPB brasileiro Johnny Hooker, Liniker e Almério unem forças em mais uma parceira bem pensada. E para abrir o palco temos artistas portugueses HMB & Virgul & Carlão fruto do intercâmbio de artistas entre as “casas” do Rock in Rio.

Rock District

No Rock District teremos shows da banda  The Silva’s (formada por Liminha, João Barone, Dé Palmeira e Toni Platão) e da banda da casa Rock Street Band.

Nota 7.0 (Mediano)

Esse dia temos um bom nome internacional que é Alicia Keys. Mas da mesma forma que o dia anterior falta um nome acima de Timberlake para que o dia ficasse mais adequado equilibrado. Faltou mais nomes internacionais no Sunset, o dia ficou 50%.

21/09 – Aerosmith

Palco Mundo

Show do Aerosmith é sempre bom! Estiveram por aqui em 2016 para uma série de shows que carregavam o peso da despedida, mas que felizmente, não eram os últimos! Aqui está novamente mais uma oportunidade de ver ao vivo um dos dinossauros do Hard Rock setentista e das baladas noventistas. Esperamos ansiosos por “Walk This Way”, “Sweet Emotion”, “Dream On”, “Crazy”, “Livin’ On The Edge”,  “Cryin”…  A lista é interminável!

Um grande acerto da organização do festival e aplausos também pela iniciativa de renovação de headliners! É isso que o público espera temos bons dinossauros ainda em atividade para serem explorados no festival como  KISS e Van Halen, por exemplo.

Outro grande acerto é finamente a vinda do Def Leppard ao festival. Essa parceira deveria ter iniciado já na primeira edição em 1985 quando eles estavam no auge da carreira, mas a banda teve que cancelar a sua participação no evento por causa dos atrasos na gravação do então novo disco da banda “Hysteria”.  Logo após, o baterista Rick Allen sofreu um grave acidente automobilístico que teve como consequência a amputação de seu braço.

Esse episódio fez a banda passar por um período de inatividade até a total recuperação de seu baterista. Allen aprendeu a tocar uma nova bateria eletrônica que possui a maioria dos controles de ritmo  na região dos pés possibilitando que o músico execute as canções apenas com um braço. E só então a banda pôde lançar o álbum “Hysteria” em 1987 que acabou sendo um de seus maiores êxitos trazendo os hits “Animal”, “Love Bites”, “Pour Some Sugar on Me” e “Hysteria”.

Como comentamos no início do post, o cantor Billy  Idol acabou cancelando a sua participação e como substituto temos a banda Fall Out Boy que traz uma enxurrada de hits alternativos que fizeram sucesso no final do anos 2000 como “Thnks fr th Mmrs” e “Dance, Dance”. Para a abertura nesse dia optou-se por uma banda brasileira mais nova Scalene que venceram o “Grammy de melhor álbum de rock brasileiro em Língua Portuguesa” em 2016.

Palco Sunset

Seja bem vindo ao melhor line up de palco sunset dessa edição do Rock In Rio! Que começa com Alice cooper + Arthur brown. Alice Cooper esteve na última edição brasileira em 2015 com a encarnação moderna do lendário supergrupo Hollywood Vampires, mas dessa vez vem em show solo com um convidado mais que ilustre Arthur Brown que nada mais é do que uma das próprias influências de Cooper, com seu estilo excêntrico, teatral e chapeis flamejantes.

Teremos também uma surpresa em termos de RIR, a banda The Kills que acabou de lançar o disco “Ash & Ice” do qual se extrai as radiofônicas “Siberian Nights” “Doing It To Death”.  Para fechar o poderoso cast internacional do palco sunset desse dia  a banda The Pretty Reckless que estive no Brasil em março! Tocando “Make Me Wanna Die”, “Going to Hell” e “My Medicine”. A banda é nova, formada em 2009, mas é um dos grandes destaques da nova cena do hard rock internacional . Mas antes desses nomes internacionais teremos um encontro entre os brasileiros Ana Cañas e Hyldon com uma mistura de Folk e Soul.

Rock District

No Rock District teremos shows de Rodrigo Santos (baixista do Barão Vermelho) cantando clássicos do rock nacional.  E a banda da casa Rock Street Band.

Nota 9.0 (ÓTIMO)

Esse dia só não está 100% pelo cancelamento da participação do Billy Idol.




22/09 – Bon Jovi

Palco Mundo

Alguns fãs afirmam que o Bon Jovi sem o seu guitarrista original Richie Sambora não é Bon Jovi. A exemplo do que fez Slash quando esteve fora do Guns N’ Roses, Sambora também seguiu uma bem sucedida carreira solo onde assume os vocais. O guitarrista tem se dado muito também em sua parceria com a excelente guitarrista Orianthi. Já seu ex companheiro de banda Jon Bon Jovi vem sofrendo várias críticas por perder a potência de sua voz e até rolou suspeita de playback em alguns shows, será? Parece karma de vocalista que fica com a marca da banda vide as críticas à Axl Rose sem Slash e elogios ao mesmo Axl com Slash. Será se a volta de Richie Sambora trará o velho Bon Jovi ao ápice novamente? Só o tempo dirá! Mas enquanto isso não ocorre ainda podemos ouvir “Livin’ On A Prayer” e “You Give Love A Bad Name” na voz do  vocalista que leva a marca da banda no próprio nome.

Uma bela surpresa do dia foi a presença do flash back oitentista da dupla Tears For Fears, como não gostar de suas músicas? Até quem nasceu anos após o lançamento de baladas como “Head Over Heels”, “Everybody Wants To Rule The World” não tem muita dificuldade de reconhecê-las.

Outro ponto alto desse dia é o Alter Bridge. Eles ficaram um pouco deslocados nessa noite balada anos oitenta mas mesmo a banda trazendo um som mais heavy metal como mostra nas canções “Metalingus”, “Show Me A Leader” e “Addicted To Pain” eles também possuem algumas músicas lentas no currículo como “In Loving Memory”, “Open Your Eyes”, “Broken Wings” e “Blackbird” que fazem lembrar a marca sonora do Creed, banda anterior dos integrantes do Alter Bridge exceto o vocalista Myles Kennedy (Slash & The Conspirators). Por falar em bandas um pouco deslocadas o que Jota Quest está fazendo ali na abertura? Fica ai a dúvida no ar, com tantas outras opções nacionais? A banda não é ruim mas caberia mais no primeiro final de semana, boa hora de ir na tirolesa!

Palco Sunset

Reza a lenda que o estilo e maquiagem que fizeram famosos os americanos do KISS foi inspirado nos brasileiros dos Secos & Molhados, se é verdade nunca saberemos mas podemos ainda ver Ney Matogrosso executando seus clássicos ao vivo, e melhor ainda, com a companhia da icônica banda Nação Zumbi criadores do Manguebit. Será a primeira vez desde 1974 que será executado o repertório inteiro dos Secos & Molhados, só que dessa vez, ao ritmo do manguebit do Nação Zumbi.

Se temos música brasileira como headliner do sunset já podemos imaginar a abertura. Como um revival da primeira edição teremos novamente Elba Ramalho e Alceu Valença que dessa vez trazem o grupo Grande Encontro que conta também com a participação de Geraldo Azevedo fazendo uma grande festa do nordeste brasileiro. Teremos ainda Baiana System recebendo a angolana Titica e a banda Sinara convidando Mateus Aleluia.

Rock District

No Rock District Evandro Mesquita & The Fabulous Tab pretendem apresentar ao público um mix de covers de bandas dos anos 70 com canções de Pink Floyd, Bob Dylan, Rolling Stones, Bob Marley, The Who, Led Zeppelin, Hendrix, Ray Charles, JJ Cale e Otis Redding. E também teremos  a banda da casa Rock Street Band.

Nota 8.0 (BOM)

O dia não tem nenhum nome internacional no palco sunset mas traz vários nomes interessantes. É apenas um bom dia.

23/09 – Guns N’ Roses / The Who

E no terceiro e último dia de headliners de hard rock teremos um dia com duas atrações principais que irão trazer seus shows completos. Serão mais de 5 horas de shows! O inédito The Who é representante do bom e velho Classic Rock dos anos 60 e 70, é também uma das bandas do movimento conhecido como invasão britânica na América do Norte.  Contemporâneos, e de mesma relevância, dos Beatles e Rolling Stones em suas épocas de ouro,  o The Who só não está mais em tanta evidência hoje em dia por causa da perda de dois integrantes importantíssimos, o primeiro foi seu carismático baterista Keith Moon reconhecido como o segundo melhor baterista de todos os tempos, morreu ainda no ano de 1978, e o segundo a partir foi o exímio baixista John Entwistle, morto em 2002.

Os membros remanescentes são Roger Daltrey (vocal) e Pete Townshend (guitarra). Os quatro integrantes da banda possuíam igual relevância no conjunto da obra e sonoridade do The Who, além das qualidades dos antigos integrantes Townshend foi revolucionário no uso do power chord que mais tarde influenciaria o hard rock e punk rock, foi percursor de alguns clichês do rock n’ roll como o girar dos braços ao fazer power chords e a manobra que faz girando o instrumento ao redor do corpo. Já o vocalista Roger Daltrey no auge de seus 73 anos ainda empolga como um jovem girando o microfone e cantando visceralmente clássicos como “Won’t Get Fooled Again”, “Who Are You”, “My Generation” e “Behind Blue Eyes” (que não é do Limp Bizkit como os mais novos podem pensar).

O segundo headliner da noite é o Guns N’ Roses que parou o mundo com sua tão aguardada reunião que traz os principais membros de sua formação clássica. Teremos pela primeira vez desde 1991 quando em seu auge Axl Rose, Slash e Duff McKagan estiveram juntos no palco do Rock In Rio II. A banda esteve presente no festival também em 2001 e 2011 mas restava apenas Rose como membro original. Nessa ocasião o Guns entregou uma apresentação com atrasos, críticas e desentendimentos com os organizadores.

Mas tudo isso está superado e a banda está de volta e totalmente afiada para um dos melhores shows dessa edição. Uma curiosidade é que eles possuem no set list um cover fixo do The Who, a canção “The Seeker”, esta que também faz parte do set list do The Who. Será que a canção pode ser executada duas vezes? Pouco provável, mas seria interessante se acontecesse uma algum tipo de participação especial entre as bandas.  E na falta de material novo (o mais recente disco da banda é o Chinese Democracy, que já possui quase dez anos de lançamento oficial e a maioria das músicas já eram executadas ao vivo desde 2001), vale á pena comparecer pelas canções que balançaram o mundo na meteórica arrancada que a banda deu de 1987 á 1993, tornando-se para muitos a última grande banda surgida desde então, apresentam sólidos sucessos que vão desde o hard rock de furioso de “Welcome To The Jungle” e “Paradise City” a ótimas baladas como “Don’t Cry” e “November Rain”, passando pela radiofônica “Sweet Child O’ Mine” até a épica “Estranged”. A música mais bem recebida do disco mais recente é “Better” e “There Was A Time”.

Antes dessa dobradinha épica teremos ainda a banda Incubus e Titãs. O Incubus é uma boa banda de rock alternativo que proporciona uma mistura interessante de vários gêneros como metal, punk, grunge com funk, entre outros. Sendo assim fica difícil definir a banda, mas predominantemente eles lembram o Red Hot Chili Peppers, não só quando decidem tocar levadas de funk rock como também a voz do vocalista Brandon Boyd se assemelha a de Anthony Kiedis. Já o o Titãs apresenta sua nova formação dando continuidade á turnê do elogiado disco Nheengatu, recentemente Paulo Miklos deixou a banda e em seu lugar entrou Beto Lee.

Sunset

Aqui temos um sunset no mínimo curioso. Em um dia de Guns N’ Roses e The Who esperávamos um sunset mais roqueiro mas não foi o que ocorreu. Teremos nesse dia CeeLo Green, o ex-vocalista do grupo Gnarls Barkley, do badalado hit “Crazy”. Uma voz potente e interessante mas que assim como os nomes que se seguem não combinam nada com o palco mundo Bomba Estéreo e Karol Conká, Cidade Negra convida Digitaldubs & Maestro Spok e Quabales convida Margareth Menezes.

Rock District

Já que no sunset não vai ter rock teremos para compensar boas pedidas no novo bairro do festival apresentações de Dinho Ouro que traz  um repertório de clássicos de Joy Division, Elvis Presley, Ramones, The Cure, Leonard Cohen, e dos mais novos The Raconteurs e Muse.

A Kisser Clan, é um supergrupo formado pelo guitarrista Andreas Kisser (Sepultura e De La Tierra), Yohan Kisser (Lusco Fusco) nos vocais e guitarras; Gustavo Giglio (Sé7ima e Road to Austin) no baixo; e Amílcar Cristófaro (Torture Squad) na bateria, que também pretende trazer um repertório de covers de bandas que inspiraram os integrantes. E claro teremos também a Rock Street Band.

Nota 9.5 (ÓTIMO)

O dia só não está 100% pelo vacilo que ocorreu na escalação do palco sunset mas temos algumas coisas boas para ver no Rock District para compensar. Vale ressaltar que este é o dia mais caro do festival (custo para os organizadores), o único com dois headliners. Talvez seja esse o motivo do descaso que ocorreu no Sunset, mas não justifica a mudança radical da proposta principal do dia que é Rock!

24/09 – Red Hot Chili Peppers

Para fechar o último dia de um final de semana predominantemente roqueiro chega a vez do Red Hot Chili Peppers. Eles nunca decepcionam, trazem sempre um show extremamente enérgico e empolgante e a cada lançamento do grupo surgem clássicos instantâneos como a nova canção “Dark Necessities” do disco quase sem guitarras “The Gateway” lançado em 2016. Mesmo com a falta de guitarra nas canções mais novas podemos ouvir ainda as músicas “Give It Away”, “Scar Tissue”, “Otherside”, “Californication”, “By the Way”, “Can’t Stop”, “Dani California” e “Snow ((Hey Oh))” que embalaram três décadas da escalada meteórica da banda e que os manteve no topo desde então.

E como o Red Hot repete o sucesso de 2011 no rock in rio eles também trazem Thirty Seconds to Mars que foi também um sucesso de 2013 para acompanhar. Um acerto para esse dia foi a convocação do The Offspring para o palco mundo,   os caras então na estrada á muito tempo e fizeram bastante sucesso por aqui nos anos 2000 com os hits “The Kids Aren’t Alright”, “Want You Bad” e “Self Esteem”, entre muitos outros. O Capital Inicial que já é carta marcada nas edições brasileiras do Rock In Rio desde 2001 voltam pela quarta vez ao festival.

Sunset

Assim como o Capital Inicial não poderia faltar a já lendária participação do Sepultura no evento. A lógica faz sentido por que o grupo é um dos poucos nacionais com relevância internacional. O Doctor Pheabes esteve no Lollapalooza esse ano e volta ao Rock in Rio só que desta vez farão uma parceria com o “Billy Idol brasileiro”, Supla. A banda Republica também retorna ao festival e mostra que está conquistando seu espaço em uma já sólida carreira internacional. Os novatos do Ego Kill Talent dão continuidade a sua ascensão meteórica abrindo os trabalhos do palco sunset mais pesado dessa edição. Os caras cresceram muito rápido e já estampam o nome da banda no pôster da edição de 2017 do lendário Download Festival que acontece em Paris, França. Eles já mostraram também o seu som na edição de 2016 do Lollapalooza.

Rock District

Os irmãos Rogério Flausino e Wilson Sideral irão realizar no bairro Rock District uma homenagem ao cantor Cazuza com um repertório baseado na carreira do famoso músico brasileiro que fez sucesso primeiramente como líder do Barão Vermelho e posteriormente em carreira solo.  E também a banda da casa Rock Street Band.

Nota 8.5 (BOM)

Esse dia traz um palco mundo conciso e sem muitas surpresas negativas.  Traz também uma proposta mais moderna e alternativa. Em consonância com essa proposta temos no sunset o resquício do extinto dia do Metal, dessa vez como banda headliner de renome internacional os brasileiros do Sepultura e os novatos do Ego Kill Talent e Doctor Pheabes promissores nomes da cena  brasileira além da carismática figura que é o Supla.

Qual o melhor dia?

Aqui não levamos em consideração o gosto pessoal e sim a relevância dos artistas então vamos lá:

1º – 23/09 – Guns N’ Roses / The Who – Nota 9.5 (ÓTIMO)

O primeiro lugar é do dia 23 por que trouxe o inédito The Who e o sempre relevante Guns N’ Roses estourando a receita dos organizadores para um dia de evento.

2º – 21/09 – Aerosmith – Nota 9.0 (ÓTIMO)

Aerosmith em sua turnê de despedida e Def Leppard que além de ser uma excelente banda estava devendo a sua participação desde 1985. Além disso esse dia tem uma programação matadora no palco Sunset.

 
3º – 24/09 – Red Hot Chili Peppers – Nota 8.5 (BOM)

Red Hot Chili Peppers precisava trazer ao Brasil o show do seu disco novo e acompanhado de The Offspring com seus trocentos hits é ainda melhor. O Sunset desse dia é puro Metal Nacional. 


4º – 22/09 – Bon Jovi – Nota 8.0 (BOM)

Bon Jovi pode não cantar como antes mais os hinos continuam ecoando. Alter Bridge é um ponto muito positivo, e uma grata surpresa é a vinda da dupla oitentista Tears For Fears no pacote.

5º – 15/09 – Lady Gaga – Nota 8.0 (BOM)

Lady Gaga é um dos principais nomes da cena pop mundial e no mesmo palco também teremos Pet Shop Boys mas dois somente não fazem um dia perfeito. Temos ainda um palco Sunset interessante para elevar a nota.


17/09 – Justin Timberlake – Nota 7.0 (Mediano)

Esse dia é apenas OK. O que salva é a excelente Alicia Keys e Nile Rogers & Chic .
16/09 – Maroon 5 – Nota 6.5 (Ruim)

De realmente interessante nesse dia só temos Charles Bradley. O resto é banda de casamento.

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